Quem treina costuma perceber rápido que a alimentação faz diferença. Às vezes a pessoa treina bem, se esforça, tenta comer melhor e, mesmo assim, sente cansaço, não se recupera de um treino para o outro, não ganha massa muscular ou não consegue reduzir gordura como gostaria.
Muitas vezes, a peça que falta está no prato.
O nutricionista esportivo é o profissional especializado em usar a alimentação como ferramenta para melhorar a saúde, a composição corporal, o desempenho físico e a recuperação. Isso vale para atletas e também para quem treina por saúde, estética, disposição ou qualidade de vida.
A dieta é uma parte desse trabalho. Antes dela vem uma avaliação detalhada da sua rotina e da sua saúde, e depois dela vem o acompanhamento, com ajustes conforme o seu corpo responde.
Neste artigo, eu explico cada etapa do jeito que ela acontece no consultório.
Para que serve o nutricionista esportivo?
O nutricionista esportivo ajuda quem pratica atividade física a atingir seus objetivos por meio da alimentação: reduzir gordura, ganhar ou manter massa muscular, render mais no treino, se recuperar melhor e até melhorar os resultados dos exames de sangue.
Na prática, os objetivos mais comuns no consultório são:
- redução de gordura corporal;
- ganho de massa muscular;
- manutenção da massa muscular durante o emagrecimento;
- melhora da performance nos treinos e nas provas;
- mais disposição no dia a dia;
- recuperação adequada depois dos treinos;
- melhora de parâmetros dos exames de sangue.
Esse último item costuma surpreender. Muita gente associa nutrição esportiva à estética, mas o acompanhamento também olha para colesterol, glicemia, vitaminas e outros marcadores. Eles dizem muito sobre a sua saúde e também interferem no quanto você rende no treino.
O que é avaliado na consulta com o nutricionista esportivo?
Na primeira consulta, o nutricionista esportivo faz uma anamnese completa. Ele conversa sobre a sua rotina, alimentação, objetivo, histórico de saúde e da família, tipo e intensidade do treino, sono, intestino e saúde mental, e avalia exames de sangue e composição corporal.
Anamnese é o nome dessa conversa inicial. Por isso o acompanhamento começa com perguntas: sem entender o contexto, a dieta vira um papel bonito, mas difícil de seguir.
Rotina, hábitos e objetivo
A que horas você acorda, trabalha, treina e dorme? Almoça fora ou leva marmita? Quem cozinha em casa? O que você come hoje e em que momento do dia a alimentação desanda?
Parece detalhe, mas é isso que define se o plano vai caber na sua semana. Junto com a rotina entra o objetivo, e cada um pede uma estratégia diferente. Quem quer ganhar massa muscular não come do mesmo jeito que quem quer reduzir gordura ou melhorar o pace da corrida.
Histórico de saúde e da família
Doenças que você já teve, medicamentos em uso, cirurgias e também o histórico da sua família.
Casos de diabetes, colesterol alto ou pressão alta entre pais e avós, por exemplo, mudam o olhar sobre o plano, mesmo que os seus exames estejam bons hoje.
Tipo e intensidade do treino
Musculação, corrida, crossfit, natação, ciclismo… Cada modalidade tem uma demanda diferente de energia e de nutrientes.
A intensidade também conta. Quem faz treino de força pesado cinco vezes por semana gasta e se recupera de um jeito bem diferente de quem caminha três vezes por semana.
Sono, intestino e saúde mental
Esses pontos entram na consulta porque interferem diretamente no resultado.
Dormir mal aumenta a fome e atrapalha a recuperação muscular. Um intestino desregulado pode indicar que algum alimento não está caindo bem. E estresse e ansiedade mexem com o apetite e com a relação com a comida.
Se algum desses pontos não vai bem, a dieta mais bem calculada do mundo vai ter dificuldade de funcionar.
Exames de sangue
Muita gente sente cansaço, queda de rendimento ou dificuldade de recuperação e acha que é falta de disciplina. Às vezes existe uma alteração nutricional, metabólica ou hormonal por trás disso.
Por isso, quando necessário, o nutricionista solicita ou avalia exames laboratoriais. Vitaminas, minerais, glicemia, perfil lipídico, função hepática e função renal são alguns dos marcadores observados. Com os resultados em mãos, dá para saber o que precisa ser ajustado, seja pela alimentação, seja por suplementação.
Composição corporal
Por fim, a avaliação física mostra quanto do seu corpo é gordura e quanto é massa muscular. No consultório, na Savassi, ela é feita com a bioimpedância, que usa uma corrente elétrica de baixa intensidade para estimar gordura, músculo, água e gordura visceral, e o BodyMetrix, um ultrassom passado sobre a pele que mede a gordura e a massa muscular.
Os dois exames são rápidos e indolores. Esse dado é o ponto de partida para o cálculo da dieta, que explico logo abaixo.
Vai para a primeira consulta? Veja o que você deve saber antes de ir ao nutricionista.
Como o nutricionista esportivo calcula a sua dieta?
A partir da composição corporal, o nutricionista calcula quantas calorias você precisa ingerir por dia e quanto de proteína, carboidrato e gordura, em gramas por quilo de peso, para chegar ao primeiro resultado. Esses números são o ponto de partida do plano alimentar.
Essa é a parte mais técnica da consulta, e ela ajuda a entender por que a dieta copiada da internet raramente funciona.
Por que a composição corporal muda a conta
Duas pessoas com 80 kg podem ter corpos bem diferentes: uma com mais massa muscular, outra com mais gordura. Se o cálculo olhar só para o peso, ele tende a errar para as duas.
Por isso a avaliação física vem antes. Ela mostra de onde você está partindo.
Calorias do dia
O total de calorias depende do objetivo. Quem quer reduzir gordura precisa de uma conta diferente de quem quer ganhar massa muscular, e as duas são diferentes da conta de quem quer manter o peso e melhorar a performance.
Proteína, carboidrato e gordura em gramas por quilo
Em vez de uma porcentagem genérica, cada macronutriente é definido em gramas por quilo de peso. Assim, duas pessoas com o mesmo objetivo, mas com pesos e composições diferentes, recebem quantidades diferentes.
Dos números para o prato
Depois do cálculo, os números viram refeições de verdade. E aqui entram coisas que nenhuma dieta pronta consegue prever: a hora em que você treina, se almoça fora todo dia, quanto pode gastar no mercado, a sua fome real ao longo do dia, a sua digestão e aquele churrasco em família no domingo.
O plano precisa funcionar na segunda-feira corrida e também no sábado com os amigos. Comer bem não precisa ser engessado nem cheio de proibições.
E você não precisa ficar contando grama por grama. Esse trabalho fica com o nutricionista.
O plano alimentar muda ao longo do acompanhamento?
Muda, e deve mudar. O cálculo inicial é uma primeira estimativa, e o planejamento é ajustado nos retornos conforme a sua evolução e as mudanças no treino, na rotina ou nos exames.
O corpo responde, e é essa resposta que mostra se a conta está certa. Nos retornos, a composição corporal é reavaliada para acompanhar quanto de músculo está sendo ganho e quanto de gordura está sendo reduzida.
Isso evita uma frustração muito comum. Semanas de treino e dieta bem feitos, a balança quase não mexe, e aí bate o desânimo… Será que está funcionando?
Muitas vezes está, porque dá para ganhar massa muscular e perder gordura ao mesmo tempo, com o peso mudando pouco. No espelho e nas roupas a diferença aparece, mas a balança não registra.
O contrário também acontece. Dá para perder peso rápido às custas de massa magra: o número cai, todo mundo elogia, mas o corpo perdeu justamente o que sustenta a saúde, a estética e o desempenho no treino.
Por isso o acompanhamento acaba sendo muito individual. Cada paciente evolui em um ritmo, e o plano acompanha esse ritmo.
Quer saber com que frequência fazer os retornos? Leia: o que perguntar ao nutricionista esportivo.
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O nutricionista esportivo passa suplementos?
Passa, quando há necessidade. O suplemento entra para cobrir algo que a alimentação sozinha não está dando conta, como uma meta de proteína difícil de atingir ou uma deficiência apontada no exame.
Muita gente chega na consulta já perguntando sobre suplementos: whey, creatina, pré-treino, cafeína, multivitamínico… E a dúvida faz sentido, porque as propagandas prometem resultados que, na prática, dependem de treino e alimentação bem feitos, com constância.
Quem treina cedo e tem dificuldade de bater a proteína do dia pode se beneficiar do whey, por exemplo. Uma fase de treino mais intensa pode justificar a creatina. Vitamina D baixa no exame pede correção.
Em todos esses casos, a decisão parte de uma necessidade identificada na avaliação. Quando existe indicação, o nutricionista escolhe o que faz sentido para você e define dose, horário e tempo de uso.
O problema é tomar suplemento porque o colega da academia toma ou porque apareceu em uma propaganda. É comum ver gente gastando todo mês com produtos que não fazem diferença nenhuma no seu caso. E quando não há necessidade de suplemento, o nutricionista diz isso com a mesma clareza.
Leia também: qual a diferença entre whey e creatina?
Nutrição esportiva é só para atletas?
Não. A nutrição esportiva beneficia atletas e também quem treina por saúde, estética ou qualidade de vida, do iniciante na musculação a quem corre no fim de semana.
Na prática, a maior parte dos pacientes é gente comum: quem faz musculação e quer finalmente ver o resultado do treino, quem corre e quer melhorar o pace, quem pedala, nada ou faz crossfit. Vale até para quem não se considera “esportista”, mas treina e quer ganhar músculo e perder gordura com saúde.
E quem está começando a treinar agora está em um ótimo momento para procurar acompanhamento, porque já constrói bons hábitos desde o início, sem passar anos testando dietas por conta própria.
Ficou na dúvida sobre qual profissional procurar? Veja a diferença entre nutricionista e nutricionista esportivo.
Quando procurar um nutricionista esportivo?
Procure um nutricionista esportivo quando o resultado não acompanha o seu esforço no treino: o músculo não vem, a gordura não sai, o cansaço é frequente ou a recuperação é lenta.
Alguns sinais comuns no consultório:
- dificuldade para ganhar massa muscular;
- falta de energia para treinar ou cansaço frequente durante os treinos;
- recuperação lenta de um treino para o outro;
- fome desorganizada ao longo do dia;
- perda de peso sem qualidade ou dificuldade para reduzir gordura;
- dúvidas sobre suplementos;
- alimentação muito restritiva ou confusa.
Saiba mais: quando devo procurar um nutricionista esportivo?
Perguntas frequentes
O nutricionista esportivo monta treino?
Não. O treino é responsabilidade do profissional de educação física. O nutricionista pergunta sobre o seu treino para ajustar a alimentação a ele, e os dois trabalhos funcionam melhor quando andam juntos.
O nutricionista esportivo pode pedir exame de sangue?
Sim. O nutricionista pode solicitar exames laboratoriais para avaliar o estado nutricional e acompanhar a evolução do paciente. Se você já tiver exames recentes, leve na consulta.
Preciso treinar todos os dias para fazer acompanhamento esportivo?
Não. O acompanhamento serve para pessoas com diferentes níveis de treino. O mais importante é existir um objetivo ligado à atividade física, à composição corporal, à saúde ou ao desempenho.
Nutrição esportiva ajuda no emagrecimento?
Ajuda, principalmente quando o objetivo é reduzir gordura preservando massa muscular. Nesse caso, o plano considera alimentação, treino, recuperação e composição corporal, e não só o peso na balança.
Por que a dieta é calculada em gramas por quilo?
Porque assim as quantidades acompanham o seu corpo. Uma porcentagem fixa daria o mesmo resultado para pessoas com necessidades bem diferentes.
Posso fazer o acompanhamento online?
Sim. Atendo online em todo o Brasil e presencialmente na Savassi, em Belo Horizonte. A avaliação com bioimpedância e BodyMetrix é feita no consultório.
Nutricionista clínica especializada em saúde metabólica e comportamento alimentar, com foco em promover uma nutrição leve, real e possível no dia a dia. Atua no Instituto Mineiro de Endocrinologia e é referência em unir ciência e acolhimento em seus atendimentos. Apaixonada por gastronomia afetiva e cozinha saudável, Júlia acredita que comer bem é um ato de cuidado e equilíbrio, não de restrição.
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